No passado dia 23 de abril a DPG enviou um comunicado de imprensa em apoio à campanha pró-inclusão da língua portuguesa dentro da oferta educativa da EOI da vila galega de Monforte de Lemos:
Um requerimento foi recentemente apresentado para introduzir o ensino do português na EOI de Monforte promovido por um grupo de alunos e alunas da zona.
Até agora, mais de quarenta pessoas fizeram a pré-inscrição disponibilizada pela escola para avaliar o grau de interesse entre a comunidade discente. Na atualidade, os monfortinos/as que estudam português deslocam-se às afastadas EOIs de Lugo e Ourense.
Os requerentes fundamentam o seu pedido com vários argumentos, entre os quais se destacam as razões de tipo laboral, económico e logístico. Assinalam-se a emergência económica do Brasil, as relações comerciais com Portugal e as vantagens para a formação profissional, além da proximidade cultural. Lembra-se a rapidez com que em português se consegue um nível de língua pontuável para concursos públicos de emprego. E aponta-se a discriminação atual dos monfortinos e monfortinas, que têm de se deslocar para estudar português.
A língua portuguesa é atualmente ensinada nas EOIs das sete maiores cidades galegas, bem como em Vila Garcia e na secção tudense da EOI Vigo. Durante o último ano têm-se registado aumentos de matriculação: 48% (Pontevedra), 32% (Ferrol), 25% (Lugo) e 23% (Vigo). Ao todo, 1104 alunos oficiais estudam português atualmente nas EOIs galegas, ao que teríamos de acrescentar os diversos cursos ministrados a docentes e outros coletivos.
Não há ensino do português nas EOIs de Monforte, Viveiro e Ribadeu, o que a DPG considera discriminatório. O português também falta nas secções locais de diversas EOIs, como Negreira, Riveira, Ordes, Noia, Cedeira, Barco, Carvalhinho, Verim, Cangas, Nigram, Lalim, A Estrada,
Ponte Areias e Coia (Vigo). Além do caso de Monforte, surpreende a ausência do ensino do português em toda a marinha luguesa ou na vila transfronteiriça de Chaves.
A DPG anima a realizar a pré-inscrição de português na EOI de Monforte e a empreender iniciativas similares nas outras áreas geográficas referidas.
Veja a notícia relacionada aqui.
A nossa associação, Docentes de Português na Galiza (DPG) vem de aderir à REAL, rede europeia de associações de professores de língua.
Os primeiros passos deste projeto foram dados por um consórcio inicial de 8 associações de professores, com a apoio do CIEP (Centre International D’études Pédagogiques). Nessa fase inicial, aderiram ao projeto 138 associações, representando mais de 154 000 docentes de língua.
O projeto REAL2 propõe-se agora criar uma federação legal de associações – monolingues ou multilingues – de professores de língua, um diretório de associações e um site da rede. Visa-se promover intercâmbios, facilitar a informação sobre ajudas, garantir a continuidade das associações, representá-las perante os órgãos responsáveis pela política linguística, e ainda defender a diversidade linguística e cultural, nomeadamente no que diz respeito às língua menos faladas.
Ao aderir a REAL, a DPG quer situar a defesa do ensino do português na Galiza num enquadramento mais amplo de defesa do multilinguismo e diversidade. Aposta-se assim na cooperação, mais do que na concorrência, entre as associações de docentes de diversas línguas. A aliança é imprescindível para evitar que a primazia seja dada ao ensino de uma ou duas únicas línguas nos países membros da UE.
Desde a DPG queremos alentar às pessoas para se somarem à campanha de recolhida de assinaturas em relação à presença da Galiza na CPLP fomentada pelo grupo MIL:
Ainda mais recentemente, soubemos que o novo Governo Português tem expressado as suas dúvidas sobre a presença de observadores da Galiza no Instituto Internacional de Língua Portuguesa, assim como pela inclusão do seu Léxico no Vocabulário Ortográfico Comum que está a ser preparado por essa instituição, quando é sabido que uma Delegação de Observadores da Galiza participou nesse processo desde o princípio.
Face a isto, perguntamos apenas até que ponto houve uma inflexão da posição do Estado Português relativamente à Galiza, já que, desde que foi apresentada a candidatura da Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa, Portugal sempre deu o seu apoio expresso a essa candidatura nos diversos órgãos da CPLP.
MIL: Movimento Internacional Lusófono
www.movimentolusofono.org
Um novo período começa onde se pretende consolidar o trabalho que vem desenvolvendo a DPG assim como reforçar a sua presença social e atividades.
Podem ler a entrevista que lhe foi feita através do Portal Galego da Língua.