Pelo ensino, de qualidade, de português na Galiza

A DPG em colaboração com um grupo de docentes do ensino público galego vem de pôr em andamento uma campanha de sensibilização e denúncia das condições de precariedade laboral e má gestão em que se encontra atualmente o ensino da língua portuguesa na Galiza.

A iniciativa surge de um grupo de docentes pertencentes à lista de substituições de Língua Galega e Literatura que considerou injusto e prejudicial para a qualidade educativa a prática que a administração educativa galega vem desenvolvendo quando é preciso cobrir uma substituição de língua portuguesa no secundário (e até nas escolas de línguas) recorrendo, uma vez esgotada a listagem específica de português para EOI, à listagem de Língua Galega e Literatura do secundário por ordem de posição nas listagens sem ter em consideração se a pessoa tem formação, comprovada e colocada no seu expediente, na matéria. Perante isto decidiram escrever uma reclamação e apresentá-la à administração com entrada no seu registo: requerimento originário pessoal substituto.

Com esta campanha pretende-se alertar sobre este facto e envolver à totalidade de agentes educativos para a exigência e regulamentação desta situação injusta e prejudicial para a matéria da língua portuguesa na Galiza, que, consideramos, está a sofrer um claro desleixo e uma desvantagem comparativa em relação a outras línguas estrangeiras igualmente opcionais. Este conjunto de circunstâncias incide diretamente sobre a qualidade e proficiência do ensino-aprendizagem do alunado.

Para isto, estamos a difundir uma campanha de consciencialização e denúncia através de uma ação pública entre os agentes afetados e envolvidos, através do envio de informação:

  1. Escrito informativo para os centros educativos
  2. Escrito informativo para as associações de pais e mães dos centros educativos

E de facilitação de adesão a este justo pedido à Administração para contribuirmos conjuntamente à qualidade real na docência da Língua Portuguesas no Ensino Público Galego, com a possibilidade de se unirem às exigências colocadas a este requerimento formal, facto para o qual oferecemos várias vias de ação:

  1. Abaixo-assinado público Pela qualidade na docência da língua portuguesa na Galiza:

  2. Documentos editáveis para o seu preenchimento e apresentação à administração por parte dos diferentes agentes educativos afetados por esta situação:

 

Infografia da situação atual do ensino PLE na Galiza

 

 

 

Pela verdadeira implementação da

língua portuguesa no ensino galego.

 

Umas profissionais da docência apresentaram no passado dia 18 de outubro uma petição registada à Conselleria de Educación da Xunta da Galiza para solicitarem que, desde o organismo oficial e máximo responsável pela educação nos centros de ensino públicos da Galiza, tenham em consideração e seja requisito indispensável a formação em língua portuguesa e o bom desempenho comunicativo  e estrutural nessa língua das pessoas profissionais da matéria à hora da atribuição de vagas para a realização de substituições e interinidades nos centros públicos galegos.

Esta petição realizada é de mínimos, já que, enquanto outras línguas contam com especialidade própria, departamento próprio, corpo docente próprio e, portanto, concurso-oposição próprio, no que diz respeito à matéria de português nada disto acontece nas escolas secundárias e centros de primária galegos.

Mesmo sendo a única língua com o apoio de uma lei (LEI 1/2014, de 24 de março, para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia.) que, na teoria, a ratificaria em cheio como sendo a primeira língua estrangeira na Galiza de direito pleno, esta não consta nem sequer com especialidade própria nas escolas galegas. Tendo ainda o português na Galiza um Memorando de entendimento para a adoção do português como língua estrangeira de opção e avaliação curricular na Galiza assinado entre esta mesma administração pública e o Camões-Instituto da Cooperação e da Língua no ano 2015 que deveria ter vindo a ratificar esse fomento da língua portuguesa no sistema público galego mas que parece ter dado em águas de bacalhau.

Até o dia de hoje nunca foi convocada nem uma só vaga pública em concurso-oposição de língua portuguesa no ensino galego, por vezes, até em favorecimento de outras línguas.

Por tudo isto da DPG queremos mostrar o nosso apoio a esta iniciativa, felicitar as pessoas promotoras da mesma e fazer um chamamento a que sejam outros setores sociais como sindicatos, associações de ANPAS, associações de pessoas alunas, etc quem também reivindiquem este direito do que as galegas e galegos estamos sendo privados, ao direito a estudarmos uma primeira ou segunda língua estrangeira que nos é próxima, nos diz respeito e nos faria sairmos dos nossos estudos obrigatórios com uma competência plena  e real em duas línguas estrangeiras e internacionais a nível mundial (supondo que o inglês continue como detentor da hegemonia linguística).

Eis o texto que foi registado:

Por um ensino da língua portuguesa na Galiza de qualidade e em igualdade de condições que às restantes línguas estrangeiras.

A língua portuguesa continua a ser desleixada e descuidada por parte da administração educativa galega. No recente anúncio de provisão de vagas para o ensino secundário galego feito público pela conselharia de educação, volta estar mais uma vez ausente a língua portuguesa. Parece que, embora a existência da ILP_Valentim Paz Andrade, não obstante os números que indicam um aumento do alunado e apesar da constante reivindicação e alerta do direito a ser a língua portuguesa considerada e tratada como as restantes línguas contempladas no sistema de ensino público obrigatório galego, mais um ano o governo quis continuar a contribuir com a precarização e instabilidade desta matéria, e as pessoas formadas e especialistas nela, não legislando nem criando vagas de língua portuguesa no ensino secundário. A DPG vem de fazer público, um comunicado onde denunciava esta situação e reclamava a convocação de um concurso público específico para a língua portuguesa. Mas, o governo mais uma vez não nos quis dar ouvidos.

Neste passado mês de novembro o habitual “CIG- Informa_ensino” esteve dedicado na íntegra a explicar e promover a introdução da língua portuguesa no ensino público galego. As condições em que esta língua se encontra e é tratada no ensino público galego apresentam-se-nos como de inferioridade e diferencial, quando menos, em detrimento de outras matérias que sim obtêm um tratamento como especialidades próprias e, portanto, com vagas específicas, concursos específicos, profissionais qualificados, etc.

Desde a DPG queremos aplaudir e agradecer esta iniciativa da organização sindical e esperamos que num futuro próximo não careçamos deste tipo de ações e a língua portuguesa ocupe o lugar que de seu lhe pertence no atual sistema público de ensino e que, já agora, a “Lei 1/2014, do 24 de marzo, para o aproveitamento da lingua portuguesa e vínculos coa lusofonía” avaliza e legitima mas que não chegou, ainda, a desenvolver e executar como corresponderia.

Folha informativa distribuída pelos centros de ensino galegos.

Folha informativa distribuída pelos centros de ensino galegos no mês de novembro de 2016.

 

O PORTUGUÊS CONTINUA NA CORDA BAMBA NO ENSINO GALEGO

Quarta-feira, 03 de Fevereiro de 2016

PARECER DA DPG SOBRE A PRESENTE OFERTA DE VAGAS A CONCURSO NO ENSINO PÚBLICO GALEGO PARA O 2016:

PARECER OFERTA VAGAS PÚBLICAS 2016

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