As três associações galegas relacionadas com a docência das línguas alemã (AGX), francesa (APFG) e portuguesa na Galiza (a própria DPG) unem-se na realização de um escrito conjunto para denunciarem o grave detrimento que sofrerão estas línguas no enquadramento da nova aplicação da LOMCE na Galiza.

Pois, segundo o novo decreto que estabelece o currículo e a distribuição horária na etapa do Bacharelato destas três línguas viriam a sofrer uma preocupante diminuição na carga horária semanal, passando de serem 4h letivas semanais em cada ano do Bacharelato a apenas 2h em 1º BAC e 3h em 2º BAC.

Deste jeito queremos denunciar mais uma vez a pouca responsabilidade e atenção que se dá no nosso sistema educativo à qualidade e eficácia no ensino de línguas regrado e público da Galiza.

Deixamos aqui ao vosso dispor a totalidade do texto:

Associações galegas de ensino de línguas denunciam detrimento das mesma no ensino

Associações galegas de ensino de línguas denunciam detrimento das mesma no ensino

No passado dia 23 de abril a DPG enviou um comunicado de imprensa em apoio à campanha pró-inclusão da língua portuguesa dentro da oferta educativa da EOI da vila galega de Monforte de Lemos:

Docentes de Português na Galiza apoia a iniciativa para introduzir o ensino do português na EOI de Monforte

Um requerimento foi recentemente apresentado para introduzir o ensino do português na EOI de Monforte promovido por um grupo de alunos e alunas da zona.

Até agora, mais de quarenta pessoas fizeram a pré-inscrição disponibilizada pela escola para avaliar o grau de interesse entre a comunidade discente. Na atualidade, os monfortinos/as que estudam português deslocam-se às afastadas EOIs de Lugo e Ourense.
Os requerentes fundamentam o seu pedido com vários argumentos, entre os quais se destacam as razões de tipo laboral, económico e logístico. Assinalam-se a emergência económica do Brasil, as relações comerciais com Portugal e as vantagens para a formação profissional, além da proximidade cultural. Lembra-se a rapidez com que em português se consegue um nível de língua pontuável para concursos públicos de emprego. E aponta-se a discriminação atual dos monfortinos e monfortinas, que têm de se deslocar para estudar português.
A língua portuguesa é atualmente ensinada nas EOIs das sete maiores cidades galegas, bem como em Vila Garcia e na secção tudense da EOI Vigo. Durante o último ano têm-se registado aumentos de matriculação: 48% (Pontevedra), 32% (Ferrol), 25% (Lugo) e 23% (Vigo). Ao todo, 1104 alunos oficiais estudam português atualmente nas EOIs galegas, ao que teríamos de acrescentar os diversos cursos ministrados a docentes e outros coletivos.
Não há ensino do português nas EOIs de Monforte, Viveiro e Ribadeu, o que a DPG considera discriminatório. O português também falta nas secções locais de diversas EOIs, como Negreira, Riveira, Ordes, Noia, Cedeira, Barco, Carvalhinho, Verim, Cangas, Nigram, Lalim, A Estrada,
Ponte Areias e Coia (Vigo). Além do caso de Monforte, surpreende a ausência do ensino do português em toda a marinha luguesa ou na vila transfronteiriça de Chaves.
A DPG anima a realizar a pré-inscrição de português na EOI de Monforte e a empreender iniciativas similares nas outras áreas geográficas referidas.

Veja a notícia relacionada aqui.

A 24 de março de 2010 foi publicada no DOG a Ordem de 15 de março pela qual se regulam as atividades formativas em língua inglesa, francesa, alemã e portuguesa para docentes de níveis não universitários.

A convocatória inclui, entre outras, informações concernentes aos requerimentos de inscrição, critérios seletivos e ajudas atribuíveis aos professores/as que participarem nestes cursos. No formulário anexo ao documento consta a relação completa de ações formativas propostas.

Na epígrafe d) do artigo nº 7 da convocatória lê-se: “d) O profesorado participante nas actividades de inglés e francés presentará o anexo IV, comprometéndose a promover seccións bilingües nos seus respectivos centros.”

A Associação DPG (Docentes de Português na Galiza) considera uma discriminação que se exija o compromisso de criação de seções bilingues exclusivamente aos professores participantes nos cursos de formação de francês e inglês, e não assim para os professores de português e alemão. Com esta diferenciação, a Consellería de Educación abre um precedente para nós inaceitável, ao antecipar e promover a criação das tais secções bilingues em francês e inglês, mas não em português e alemão. Esta exclusão não tem qualquer fundamento na legislação educativa vigorante.

O tratamento desigual também afeta o número de cursos oferecidos: há apenas um único curso de língua portuguesa e um único curso de língua alemã para professores especialistas e professores não especialistas. Nas mesmas aulas podem juntar-se professores com um conhecimento avançado da língua portuguesa com professores iniciantes. Em inglês há 6 cursos para especialistas e 4 para não especialistas, enquanto que em francês foram programados um total de 4 cursos, dois para cada categoria.

O português é uma língua cada vez mais procurada no sistema de ensino galego, como testemunham as onze escolas primárias, vinte e cinco secundárias e oito EOI em que a língua é ministrada. Nalgumas escolas secundárias há docentes com horário completo de português. O presidente da Xunta, Alberto Núñez Feijoo, comprometeu-se publicamente a promover o estudo do português na Galiza.

O português é a língua oficial de oito países e uma das seis mais faladas no mundo. O português já é utilizado – como língua oficial, de trabalho ou de documentação – em mais de duas dezenas de organismos multilaterais ou regionais. Não existe nenhuma razão que justifique o desfavorecimento nas seções bilingues de uma língua tão importante para a capacitação profissional dos estudantes galegos.

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