A nossa associação após tomar ciência da recente vontade da Inspeção Educativa no referente à supressão do Departamento de Português no IES San Paio, em Tui, vem a público manifestar o seguinte:

1. A medida anunciada pela Inspeção é completamente arbitrária, pois o Português tem uma forte demanda no IES San Paio, com cerca de um centenar de alunos e alunas matriculados no presente curso. A disciplina de Português conta, em decorrência disso, com uma carga horária mais do que suficiente para que se mantenha a especialidade e, consequentemente, o Departamento.

2. O IES San Paio de Tui foi o primeiro de toda a Galiza em contar com cadeira e Departamento de Português, uma disciplina que leva 30 anos de ensino ininterrompido nesse centro. Não tem sentido suprimir o Departamento decano do país, e muito menos fazê-lo quando tem alunado e carga horária.

IES S. Paio de Tui, das primeiras escolas na Galiza a ensinar português.

Se isso fosse pouco, estamos a falar de suprimir o Departamento de Português numa Eurocidade e com uma Lei em vigor (a Lei Paz-Andrade) que obriga o Governo galego a promover o ensino do Português.

3. A comunidade educativa do IES San Paio (Conselho Escolar, Claustro de Professorado, AMPA, alunado…) é contrária a esta medida, como demonstram os apoios públicos e as gestões para reverter esta nefasta decisão.

4. A supressão do Departamento de Português, caso venha a confirmar-se, representa um perigo evidente para a continuidade do estudo desta língua no IES San Paio. Ou seja: ainda que neste ano escolar se mantenham os grupos, os mesmos podem ser suprimidos a qualquer momento, nos próximos anos. Isso implica um duplo prejuízo: para o alunado futuro, porque não terá a opção de estudar Português; e para o alunado atual do centro, porque será obrigado a mudar de língua estrangeira a meio dos seus estudos, aterrissando subitamente noutra língua sem possuir a menor base nela.

Por todo o exposto, é de justiça reverter a decisão anunciada pela Inspeção Educativa em Setembro de 2020 e manter o Departamento de Português no IES San Paio, de Tui. Não faz falta mudar a Lei nem investir dinheiro, pois o marco normativo atual permite que se mantenha o Departamento e já existe professorado. Basta que existam vontade política e, por cima de tudo, sensibilidade. É isso que desde a DPG pedimos e esperamos da Conselharia de Educação.

Comunicado enviado aos meios

Notícias relacionadas

Notícia no jornal Faro de Vigo

Cig-ensino apoia permanência do Departamento e adaptação da lei à nova realidade

Escrito enviado pela CIG à Direção geral

Aproveitando a situação de período eleitoral enviamos propostas de melhora do ensino de português aos candidatos à presidência, a quem lembramos que todos apoiaram unanimemente a lei Paz Andrade

As propostas do coletivo docente são as seguintes:

  • Oferta geral da matéria como pre-inscrição na totalidade dos centros de ensino. Oferecer nas matrículas de todos os centros de secundário uma pré-matrícula em disciplinas de português que permita conhecer a demanda existente e planificar a sua implementação ali onde houver alunado interessado.
  • Oferta regular e continuada de vagas de Português nas oposições multiplicando por dez as atuais vagas convocadas.
  • Realização periódica de campanhas institucionais (nas rádios, televisões, jornais e centros de ensino) de promoção da opção do Português como língua estrangeira no ensino favorecendo a inscrição do alunado.
  • Prioridade da lista da própria especialidade nas substituições quando a carga horária maioritária for da própria matéria.
  • Criar mecanismos de conservação da matéria ali onde já estiver assente quando a docente deixar o lugar, seja por reforma ou por mobilidade a outros centros, com a convocatória de vagas através da especialidade.
  • Equiparar o Português ao resto de línguas da mesma categoria incluindo a sua oferta em todos os programas gerais de Línguas Estrangeiras dependentes do governo galego.
  • Realizar reuniões anuais convocadas pela administração em que participem todos os organismos e associações de promoção do português para avaliarmos a sua implementação.
Objetivos da Lei Paz Andrade continuam
ainda sem desenvolver

carta enviada

Urge normalizar o ensino de língua portuguesa no secundário

Primeiras três substituições de 2019 de matérias de língua portuguesa não se tramitaram na lista de português .

Neste novo ano escolar existe finalmente código próprio para a especialidade de português e uma lista criada pelo concurso-oposição realizado este ano 2019. Porém a Conselharia de educação demorou a publicar a lista de substitutos o que permitiu a contratação de pessoas que não pertencem a essa lista para substituírem vagas onde se leciona 100% matérias de português. 

Da DPG (Docentes de Português na Galiza) levamos desde setembro alertando a centros de ensino e Conselharia para tomar a sério a publicação das listas de substituição de português assim como para começar a normalizar a nova realidade no secundário, com docentes contratados através da especialidade. 

Nesse sentido detetamos duas situações em que se deve começar a caminhar com urgência para não continuar a desatender a qualidade do ensino de português no ensino secundário.

Primeira, no concurso geral de traslados de secundário não se solicitam vagas definitivas de português apesar de a última oposição ter criado 7 especialistas em secundário. Também não temos constância de terem sido solicitadas vagas provisionais nos 15 centros atuais, que contam com a maior parte dos níveis de português e com uma quantidade de inscrições significativas, do total de 67 que estão a oferecer a matéria.

Segunda, e de maior impacto para a qualidade docente, é a atual contratação de substitutos através de listas que não são da especialidade e de pessoas sem um mínimo nível de proficiência certificada, apesar de essas baixas terem, na sua totalidade ou numa carga horária maioritária, matérias de português.

No novo cenário em que existe uma lista oficial de substituição com mais de 25 profissionais da especialidade não é aceitável esta lista continuar a ser ignorada nem que continue a haver contratações sem atender à qualidade profissional e à existência de especialistas. O chamamento na lista da especialidade tem que se tornar a prioridade  até esta se esgotar.

Requeremos por isso da Direção Geral de Recursos Humanos da Conselharia:

  • Que informe aos centros de que as baixas com 60% de português sejam tramitadas como vacantes da especialidade, habilitando a sua petição.
  • Que os últimos três centros que não conseguiram realizar a petição na lista adequada (IES Ribadeu, IES Tomiño e IES Antonio Fraguas) sejam informados da nova situação e de como realizar futuras petições sobre a lista da especialidade para não desatenderem a existência de lista própria da especialidade à hora de solicitar vacantes e substituições.
  • Que convoque vagas nos 15 centros atuais que contam com a maior parte dos níveis de português e com uma quantidade de alunado significativo.

Mais informação de anos anteriores:

Campanha de 2018 (não existia a especialidade em secundário)

infografia de 2018

Alcançar a utopia: português na Galiza

Quarta-feira, 11 de Setembro de 2019

Teresa Carro é professora de EOI e membro da DPG

Este artigo foi publicado originalmente no sermosgaliza

Este ano académico começa com uma novidade histórica no sistema de ensino público da Galiza, estou a falar do facto de termos, pela primeira vez, professores de língua portuguesa oficialmente reconhecidos como tal. Se já há uns anos que os nossos estudantes podem escolher como língua estrangeira o português, também é certo, e de justiça, dizer que esta matéria estava a ser lecionada por pessoas que tinham um empenho particular em desempenhar esta tarefa, fosse pelos motivos que fossem.

A estes professores que iniciaram o ensino do português no secundário só temos muito a agradecer por terem aberto este caminho e por terem sido capazes de solucionar todos os entraves que a administração colocou e tenta colocar todos os dias para que o português no secundário não seja uma realidade. Este grupo de docentes foi pioneiro no seu trabalho e por isso deve ser reconhecido.

Ora bem, as condições destes docentes nunca foram as ótimas. Estamos a falar de que se estava a lecionar uma matéria no sistema de ensino público que não tinha nenhum especialista nessa matéria, estamos a falar de que não houve formação específica para esta pessoas em todos estes anos ofertada pela Conselharia correspondente. Falamos de que quando um destes docentes faltava ao seu posto de trabalho era substituído por uma pessoa à que não se lhe exigia conhecimento na matéria, e como estas muitas.

Mas este mês de setembro ficará para a história porque se incorporam ao sistema de ensino público quatro pessoas com vaga na especialidade de português. Finalmente a administração resolveu convocar estas vagas há tanto desejadas. Mas convido para a reflexão: foram convocadas estas vagas apenas pela vontade desta Conselharia? Para mim, um absoluto não. Estas quatro vagas de português são o resultado duma reivindicação social história. Uma reivindicação abandeirada pelo movimento reintegracionista galego mas não só, pois o movimento nacionalista, em geral, sempre apoiou esta batalha, assim como outro tipo de coletivos que viam no caminho da aprendizagem do português uma saída para o galego, uma saída laboral, uma saída económica, etc.

Só temos que virar a cabeça atrás e lebrar quando ainda se faziam pintadas nas paredes com legendas tipo “ Português no ensino desde já” campanha que levou avante o MDL (Movimento Defesa da Língua) há 20 anos. Estamos a falar de mais de 20 anos de luta social para que o estudo do português no secundário seja uma relaidade. E hoje fazemos história, e o movimento social que manteve esta luta durante todos estes anos deve sentir imenso orgulho nisso. 

Nos últimos anos a associação DPG (Docentes de Português na Galiza) centrou muitos dos seus esforços em trabalhar para contribuir desde a profissionalidade neste objetivo e devemos agradecer a estas pessoas o grande trabalho voluntário que leva feito até hoje.

Que as nossas crianças e jovens possam aprender português no sistema público de ensino é fulcral para o futuro da nossa língua. A Galiza é uma potência lusófona com data de validade quase a expirar, mas com a aprendizagem de português a data de validade torna-se infinita. Desejo aos novos professores de língua portuguesa na Galiza o melhor no seu desempenho docente e que sempre sintam orgulho em saberem que têm um trabalho fruto duma conquista social, por vezes a utopia consegue-se

No passado dia 22 de junho de 2019, coincidindo com o início das provas para o acesso público à educação secundária obrigatória pela especialidade de português (primeira vez que se convocavam 4 vagas deste tipo na Galiza) saiu uma reportagem no jornal Praza sobre o assunto.

Como associação profissional de docentes de português pediram-nos a nossa opinião.

E colocaram a informação dos centros que na atualidade lecionam português na Galiza:

Eis a notícia completa.

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