II ENCONTRO DE DIDÁTICA DO PORTUGUÊS

Compostela, outubro de 2010, por Eduardo S. M.

Apresentação do Encontro

O Encontro começou com as intervenções de Felipe Domínguez Presa, presidente da associação Docentes de Português na Galiza (DPG), Filipa Maria Soares, representante da Embaixada Portuguesa, e Xerardo Roca, professor de galego há 27 anos e de português há só um ano e meio no centro educativo em que decorreu o evento. Este último docente fez uma acesa defesa das aulas de português no secundário após dar as boas-vindas à assistência em nome da DGP e da Escola Secundária Gelmires I.

Para Xerardo Roca, apesar da grande visibilidade com que o português conta nas Escolas Oficiais de Idiomas (EOI), o futuro desta língua na Galiza passa pelo alastramento no ensino secundário. Neste sentido, lembrou o compromisso da DGP com este âmbito educativo, e anunciou a próxima realização de um encontro de docentes para a troca de materiais especificamente centrado no secundário. Antes de dar passo a Filipe Presa, docente de português na EOI de Vigo, Roca assinalou que era preciso contornar os medos que gerava a língua portuguesa nos meios culturais espanhóis e galegos, encorajando o professorado de língua galega a desbravar o emocionante caminho que ele mesmo já tinha começado a percorrer.

Felipe Presa começou por apresentar a DPG, definindo os seus fins principais, que são a promoção do português no ensino, nomeadamente no secundário, e o incentivo de uma educação de qualidade, através do encontro de profissionais em jornadas como a que estava a realizar-se.

A seguir, fez um balanço dos dados referentes à progressão do português no ensino primário, secundário, EOI e Universidade. No primeiro destes âmbitos, o português só tem presença nas províncias de Ponte Vedra e Ourense e não tem aumentado no último ano letivo. No entanto, nos outros setores, desde o ano passado, tem-se produzido um aumento considerável de alunos, com mais quatro escolas secundárias em que é lecionado. Porém, este aumento da procura não se tem refletido no número de professores que estão a ministrar português. Pelas palavras do Filipe, “tem aumentado o português, mas não os meios disponibilizados pela Administração para lecionar português”.

Quanto à evolução desta língua ao longo das últimas décadas, salientou que o ensino do português começou nas Universidades, passando a seguir às EOI e finalmente ao secundário, sendo muitos os professores que procuram as EOI para depois poderem lecionar no ensino secundário, da mesma maneira que os atuais professores das Escolas Oficiais de Idiomas se tinham formado nas Universidades.

Salientou a vantagem cultural que representa o português, uma vez que é notório o avanço com pouco esforço. Porém, a seguir indicou que esse é o principal desafio do aluno, que costuma achar ser esta língua matéria fácil, o que podia frustrar as expetativas dele. Nesse sentido, frisou a importância da expressão oral e de um adequado tratamento do erro linguístico nesta destreza.

Noutro sentido, fez um apelo a fazer chegar a mensagem da importância das relações económicas com Portugal e a Lusofonia.

Para finalizar, destacou a ausência de uma aposta estratégica da Administração pelo português, que se reflecte na estagnação do principal problema do ensino do português na Galiza: a falta de contratação de profissionais que deem resposta à procura.

Filipa Maria Soares, conselheira da Educação para a Espanha e Andorra da Embaixada de Portugal e especialista em ensino do português no estrangeiro, transmitiu que a política da expansão do português era prioritária para a sua Embaixada, embora admitisse dificuldades para isso, uma vez que nem sempre era entendida essa necessidade junto das instituições espanholas.

A representante reivindicou a importância estratégica do português no mundo e assinalou que os docentes devem salientar a relevância do português como língua de trabalho na comunicação, fazendo um apelo à união e o contacto entre o ensino do português vindo de Portugal (em relação ao ensino primário, cujo professorado depende do governo luso) e o de outros níveis educativos, como o da EOI ou o do secundário, gerados localmente.

Por sua vez, salientou o orgulho e a alegria que representam para a Embaixada os fantásticos dados fornecidos pela DPG e agradeceu o trabalho do Instituto Camões e dos professores galegos em defesa da língua portuguesa, oferecendo uma total colaboração do seu departamento.

No final da sua intervenção a professora Filipa Maria Soares assegurou que o Estado português está a trabalhar junto com a Conselharia de Educação para definir o estatuto dos professores de português na Galiza, para ser reconhecida a importância do ensino do português nesta comunidade. Sendo inegável já a sua importância em termos de alunado, com 3.000 pessoas no total, este dado deve refletir-se na situação do professorado, ao nível de concursos e de que haja mais pessoal efetivo. Ainda, a diplomata chamou a atenção para empurrar o alunado para a certificação dos seus conhecimentos, algo “imprescindível para um ensino de qualidade”.