Pelo ensino, de qualidade, de português na Galiza

A DPG em colaboração com um grupo de docentes do ensino público galego vem de pôr em andamento uma campanha de sensibilização e denúncia das condições de precariedade laboral e má gestão em que se encontra atualmente o ensino da língua portuguesa na Galiza.

A iniciativa surge de um grupo de docentes pertencentes à lista de substituições de Língua Galega e Literatura que considerou injusto e prejudicial para a qualidade educativa a prática que a administração educativa galega vem desenvolvendo quando é preciso cobrir uma substituição de língua portuguesa no secundário (e até nas escolas de línguas) recorrendo, uma vez esgotada a listagem específica de português para EOI, à listagem de Língua Galega e Literatura do secundário por ordem de posição nas listagens sem ter em consideração se a pessoa tem formação, comprovada e colocada no seu expediente, na matéria. Perante isto decidiram escrever uma reclamação e apresentá-la à administração com entrada no seu registo: requerimento originário pessoal substituto.

Com esta campanha pretende-se alertar sobre este facto e envolver à totalidade de agentes educativos para a exigência e regulamentação desta situação injusta e prejudicial para a matéria da língua portuguesa na Galiza, que, consideramos, está a sofrer um claro desleixo e uma desvantagem comparativa em relação a outras línguas estrangeiras igualmente opcionais. Este conjunto de circunstâncias incide diretamente sobre a qualidade e proficiência do ensino-aprendizagem do alunado.

Para isto, estamos a difundir uma campanha de consciencialização e denúncia através de uma ação pública entre os agentes afetados e envolvidos, através do envio de informação:

  1. Escrito informativo para os centros educativos
  2. Escrito informativo para as associações de pais e mães dos centros educativos

E de facilitação de adesão a este justo pedido à Administração para contribuirmos conjuntamente à qualidade real na docência da Língua Portuguesas no Ensino Público Galego, com a possibilidade de se unirem às exigências colocadas a este requerimento formal, facto para o qual oferecemos várias vias de ação:

  1. Abaixo-assinado público Pela qualidade na docência da língua portuguesa na Galiza:

  2. Documentos editáveis para o seu preenchimento e apresentação à administração por parte dos diferentes agentes educativos afetados por esta situação:

 

Infografia da situação atual do ensino PLE na Galiza

 

 

 

A DPG

Quinta-feira, 04 de Junho de 2020

Docentes de Português na Galiza, DPG, é uma associação de professoras e professores de Língua Portuguesa sem fins lucrativos.
A DPG nasceu para:

✓ Fomentar o ensino da língua portuguesa, da cultura e a realidade dos diferentes países onde é língua oficial.
✓ Promover o intercâmbio de informação científica, pedagógica, didática e metodológica.
✓ Contribuir para novos campos de experiência e inovação no ensino do Português.
✓ Desenvolver projetos de investigação e ação do ensino/aprendizagem do Português.
✓ Participar no debate social sobre a Educação, na Galiza, nomeadamente no referente ao ensino das línguas.
✓ Facilitar contactos e trocas de experiências no âmbito do ensino das línguas, nomeadamente da portuguesa.

Pode adquirir e manter a qualidade de pessoa associada qualquer docente em ativo de língua ou literatura portuguesas, assim como de cadeiras de tradução e interpretação com combinações linguísticas que incluam o português. Ficam também incluídos os docentes em situação de licença ou desemprego não superior a dois anos académicos.


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Comentários fechados em A DPG

Parecer da DPG – Vagas de português no Concurso de 2020

Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

Oferta Público de Emprego muda e inclui na última da hora algumas vagas de português. Conselharia retifica rascunho inicial e ouve o clamor geral de “mais português

O Código 590015: Português veio para ficar, conforme vínhamos reclamando diferentes entidades profissionais, sindicatos e agentes sócio-culturais da Galiza.

Da DPG não podemos senão parabenizar e agradecer a todas as entidades que trabalharam connosco nestes meses para que na mesa sindical setorial deste 18 fevereiro o Governo galego tenha atendido a reivindicação coletiva por “mais português”, incluindo finalmente 4 novas vagas desta especialidade. A todas elas, o nosso muito obrigado.

Na nossa opinião, a quantidade de vagas convocadas é mais uma vez nitidamente insuficiente, toda vez que já são acima de 65 os centros de ensino secundário a lecionarem português de maneira regular. De facto, muitos desses centros continuarão ainda sem vagas oficiais que deem estabilidade ao trabalho que tem sido desenvolvido neles. Além de deixar ver que o desenvolvimento da ILP Paz Andrade continua a não ser uma prioridade para o Governo galego.

Do ponto de vista do cumprimento da ILP Paz-Andrade ou até numa comparação com a atual convocação de vagas de outras línguas de idêntica importância curricular, a DPG considera – como já explicou aquando da anterior convocatória (2019) – que o número de vagas fica muito aquém das necessidades de atendimento profissional e de qualidade numa matéria de ensino que foi definida em 2014 como prioritária através de uma lei específica.

Ponhamos os dados em perspectiva: as vagas de Português convocadas em 2020 representam apenas 0,2% do total das ofertadas para o ensino secundário e somente permitirão regularizar a situação do ensino do Português  em 6% dos centros que atualmente lecionam esta matéria.

É às custas de um esforço continuado dos agentes sociais que as vagas de português avançam,  embora devagar. É preciso normalizar a convocatória regular de vagas e avançar mais decididamente no cumprimento do roteiro marcado pela lei Paz-Andrade.

Por outro lado, o facto de o Governo galego ter ouvido novamente o conjunto dos agentes sociais é, mais uma vez, uma notícia que merece um positivo destaque. Vale lembrar, nesse sentido, iniciativas como o protesto realizado conjuntamente pela nossa associação, a AGLP, a AGAL e a A Mesa, e que diferentes sindicatos do ensino secundaram. Esta vitória é também de todas estas entidades e das pessoas que apoiam as nossas justas petições.

Esperamos que o Governo galego tenha compreendido a importância de continuar a convocar regularmente vagas com a normalidade com que se faz noutras especialidades. O português deve deixar de estar sempre na corda bamba e à espera de esgotar todos os prazos possíveis.

Seja como for, para todas as pessoas comprometidas com a promoção do ensino da língua portuguesa no nosso país, o dia de hoje é motivo de alegria. Seguiremos a trabalhar para que se torne um hábito celebrarmos este tipo de notícias.

590015:português +4 vagas

Urge normalizar o ensino de língua portuguesa no secundário

Primeiras três substituições de 2019 de matérias de língua portuguesa não se tramitaram na lista de português .

Neste novo ano escolar existe finalmente código próprio para a especialidade de português e uma lista criada pelo concurso-oposição realizado este ano 2019. Porém a Conselharia de educação demorou a publicar a lista de substitutos o que permitiu a contratação de pessoas que não pertencem a essa lista para substituírem vagas onde se leciona 100% matérias de português. 

Da DPG (Docentes de Português na Galiza) levamos desde setembro alertando a centros de ensino e Conselharia para tomar a sério a publicação das listas de substituição de português assim como para começar a normalizar a nova realidade no secundário, com docentes contratados através da especialidade. 

Nesse sentido detetamos duas situações em que se deve começar a caminhar com urgência para não continuar a desatender a qualidade do ensino de português no ensino secundário.

Primeira, no concurso geral de traslados de secundário não se solicitam vagas definitivas de português apesar de a última oposição ter criado 7 especialistas em secundário. Também não temos constância de terem sido solicitadas vagas provisionais nos 15 centros atuais, que contam com a maior parte dos níveis de português e com uma quantidade de inscrições significativas, do total de 67 que estão a oferecer a matéria.

Segunda, e de maior impacto para a qualidade docente, é a atual contratação de substitutos através de listas que não são da especialidade e de pessoas sem um mínimo nível de proficiência certificada, apesar de essas baixas terem, na sua totalidade ou numa carga horária maioritária, matérias de português.

No novo cenário em que existe uma lista oficial de substituição com mais de 25 profissionais da especialidade não é aceitável esta lista continuar a ser ignorada nem que continue a haver contratações sem atender à qualidade profissional e à existência de especialistas. O chamamento na lista da especialidade tem que se tornar a prioridade  até esta se esgotar.

Requeremos por isso da Direção Geral de Recursos Humanos da Conselharia:

  • Que informe aos centros de que as baixas com 60% de português sejam tramitadas como vacantes da especialidade, habilitando a sua petição.
  • Que os últimos três centros que não conseguiram realizar a petição na lista adequada (IES Ribadeu, IES Tomiño e IES Antonio Fraguas) sejam informados da nova situação e de como realizar futuras petições sobre a lista da especialidade para não desatenderem a existência de lista própria da especialidade à hora de solicitar vacantes e substituições.
  • Que convoque vagas nos 15 centros atuais que contam com a maior parte dos níveis de português e com uma quantidade de alunado significativo.

Mais informação de anos anteriores:

Campanha de 2018 (não existia a especialidade em secundário)

infografia de 2018

Sendo uma boa notícia, cabe alientar que as 4 vagas de livre acesso ofertadas apenas representam 0,48% do total das 834 ofertadas para o ensino secundário. E aliás, supõem regularizar a sitiação só de 6,6% dos centros que atualmente lecionam português na Galiza.

Acabam de ser aprovadas pelo governo galego as primeiras vagas oficiais de português no secundário

Por vez primeira na história o código 590015: português terá convocatória oficial conforme vinham reclamando diferentes entidades profissionais, sindicatos e agentes sócio-culturais.

É um passo muito pequeno ainda (apenas quatro vagas) mas inicia um novo cenário promissor.

Da DPG não podemos mais do que parabenizar a todas as pessoas dos diferentes âmbitos que levam reclamando a incorporação de medidas efetivas na promoção do ensino de português na Galiza e do cumprimento do roteiro marcado pela ILP-Paz andrade.

Na nossa opinião a quantidade de vagas convocadas é a todas luzes insuficiente para uma estimação que já ultrapassa os 50 centros de secundário a lecionarem português na atualidade – e que ficam por enquanto ainda sem vagas oficiais que assentem o trabalho que tem sido desenvolvido nesses centros.

Do ponto de vista do cumprimento da ILP Paz- Andrade ou até numa comparação com a atual convocação de vagas doutras línguas de idêntica importância curricular, a DPG considera o número totalmente por baixo das necessidades de atendimento profissional e de qualidade numa matéria que foi definida em 2014 como uma prioridade do governo na promoção do ensino de línguas.

Nesse sentido estas primeiras 4 vagas são um número mínimo que esperamos o governo tenha a bem multiplicar, no mínimo, por dez (40 vagas) em próximas convocatórias visando começar -desse modo sim- a dar cumprimento ao roteiro definido pela Lei Paz Andrade.

Para todas as pessoas comprometidas com a promoção do ensino de língua portuguesa é, apesar disso, motivo de grande alegria, hoje podemos celebrar os primeiros frutos do nosso trabalho no secundário.

Parabéns a todas!


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